Multitask

Primeiramente, não venho aqui falar como se eu fosse dona das respostas do mundo. Pelo contrário, se eu pudesse ser dona de algo, seria das dúvidas. Nem também falo como se estivesse imune a tudo que contarei no decorrer do texto. Sou humana, participo de uma sociedade, e ela me fez deste modo também.

Esses dias eu venho me questionando sobre quem eu sou/o que quero ser. É muito estranho que eu, aos meus - ainda - 19 anos de idade, não saiba me definir? Bom, eu acho que não. Como o título propõe, eu sou uma multitask, no português, várias tarefas simultâneas. Eu não sou Duda, a grande. Duda, a legal. Duda, a engraçada.

Eu sou mil coisas ao mesmo tempo, eu sou a triste, a feliz, a dramática, a racional, a branca, a feia, a linda, a idiota, a fofa, a filha, a neta, a amiga. Esse pouco, dentro do muito que eu sou, resume-se a quê? Digo, qual é a palavra que resume isso tudo? Seria “humano”? Seria “pessoa (in)decente”?

Vejo que com a expansão das redes sociais as pessoas tomaram liberdade realmente de falarem tudo que as vêm na cabeça. Legal, interessante. Mas fico um tanto quanto incomodada com a quantidade de coisas que aparecem por aí, que eu - na minha humilde opinião - acho sem noção. Por exemplo, textos escritos talvez por alguém que se importe ou não sobre um determinado assunto que quando compartilhados aos outros, esses resolvem tomar partido também, e falarem como se fosse a nova bandeira, a nova causa de vida.

Falo diretamente e indiretamente de frases que são mais ou menos assim:

Infelizmente, 97% dos usuários do Facebook não vão postar isso. Quando Jesus morreu na cruz, Ele estava pensando em você. Se você é um dos 3% que vai se levantar para Ele, só poste isso. Tenho orgulho de ser um dos 3% … Ele é a razão de todos nós estarmos aqui.


Quanta besteirada. Quer dizer que se eu não posto, não vou me levantar pra Ele? Ou se eu não posto, eu não amo minha mãe/não ligo pra abandono de animais/não apoio qualquer idéia que seja dita? Há a necessidade de sempre ter que se encaixar em algum grupo? Ser chamado de algo? Ser definido por uma ou duas atitudes?

Acho que essa é uma das razões pelas quais as pessoas não enxergam mais suas próprias essências. Somos bombardeados direta e diariamente por milhões de estímulos diferentes, presos a outros milhões de regras e rótulos. Mas pra que? Eu gostaria realmente de saber o porquê. (Inclusive, se alguém tiver uma idéia, pode comentar.)

Sim, nós temos milhares de características diferentes, mas lembrem-se. TODOS NÓS TEMOS. Não vejo porque crescemos tentando nos definir com tanta ansiedade ou porque tentamos participar de algum grupo que nos dê uma identidade, se somos nós mesmos que nos definimos.

E além de tantas definições porque não damos a nós mesmos as chances de experimentar? Porque nos afastamos de pessoas que não conhecemos? Só porque ela escuta uma música que não lhe agrada, por ter um cabelo estranho, ou por ser normal demais? O que isso tem a dizer sobre ela? Acho que nada.

Eu particularmente, gosto de ouvir músicas tristes. Isso faz de mim uma pessoa triste? Não! Eu posso até ser uma, mas não é exatamente a música que diz quem eu sou. Eu é que digo o que a música me faz ser, e posso afirmar com toda a certeza que a música me faz mais feliz.

Dá pra entender? Estamos tão enrolados em tantos pré-conceitos, tantas primeiras impressões que geralmente são erradas, tantos pré-julgamentos que ficamos presos sem sabermos quem realmente somos, e quem que está ao nosso redor é. Eu não sei me definir, mas com certeza sou definida por muitas pessoas. Na verdade, eu não quero ser definida, eu só quero me conhecer… assim sem nomes, sem regras. Eu só quero entender como você me vê. Sei lá, é uma coisa assim.

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